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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Resenha - Fahrenheit 451


Livro: Fahrenheit 451
Autor: Ray Bradbury
Tradutor: Cid Knipel
Editora Globo – 215 páginas
Nota no Skoob: 5 estrelas (ótimo)

               Imagine uma época em que os livros configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são absolutamente proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros - profissionais que outrora se dedicavam à extinção de incêndios, mas que agora são os responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se dissemine como praga. Para coroar a alienação em que vive essa nova sociedade, anestesiada por informações triviais, as casas são dotadas de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem "famílias" com as quais se podem dialogar, como se estas fossem de fato reais. Este é o cenário em que vive Guy Montag, bombeiro que atravessa séria crise ideológica. Sua esposa passa o dia entretida com seus "parentes televisivos", enquanto ele trabalha arduamente para comprar-lhe a tão sonhada quarta parede de TV. Sua vida vazia é transformada, porém, quando ele conhece a vizinha Clarisse, uma adolescente que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo. O sumiço misterioso de Clarisse leva Montag a se rebelar contra a política estabelecida, e ele passa a esconder livros em sua própria casa. Denunciado por sua ousadia, é obrigado a mudar de tática e a buscar aliados na luta pela preservação do pensamento e da memória. "Fahrenheit 451" é não só uma crítica à repressão política mas também à superficialidade da era da imagem, sintomática do século XX e que ainda parece não esmorecer. Sinopse aqui.

     Oi, você que está lendo essa resenha! o/
     Fahrenheit 451 é um dos mais novos livros que acabaram de chegar na biblioteca da escola (=D), e eu, que não sou bobo nem nada eu acho, peguei ele antes que algum outro adorável aluno pegue ele, nunca leia e, igualmente, nunca devolva.
     Depois que eu vi que era ficção científica então?! num havia manera de não ler.

Cenário
     Um mundo não tão diferente do nosso, fisicamente, sem nenhuma escabrosidade tecnológica ultra-futurista "vim-do-futuro-para-destruir-te", com a peculiaridade de que ele comporta um povo totalmente alienado de qualquer manifestação de cultura e idiotificado pela avalanche de informações supérfluas que vem tanto de um eu entendi como microrrádio sempre enfiado na orelha, quanto das televisões: telões gigantes que ocupam uma parede inteira proporcionando o melhor de qualidade em imagem, cor e som. TV como você nunca viu! e nas quais os espectadores são absorvidos e anestesiados e passam horas a fio assistindo.
     Segundo o prefacista, e eu kinda concordo, a época em que se passa o livro não é muito distante da nossa, então, penso eu, deve ser lá por 2025-2050.

História
     Guy Montag era um bombeiro que ateava fogo aos livros, pois esse era o trabalho dos bombeiros da então época. A ordem mor era claríssima e objetivíssima: livros are from hell bad! Burn todos eles! Mas um dia Guy conhece Clarisse McClellan, uma garotinha que inquieta-o, fazendo-o perguntas como: "você é feliz?".
     Alguma coisa muda muito profundamente em Guy, e ele começa a suspeitar que a resposta está nos livros, que são expressamente proibidos de serem lidos, excetuando-se manuais técnicos e guias; e quando ele percebe que para essas pessoas, as quais ele ia diariamente destruir suas bibliotecas particulares, terem os seus livros era mais importante do que a própria vida, ele resolve cometer o pecado capital: lê alguns livros.
     Mientras se pasa la historia, Guy se lembra, se eu estou certo, de um senhor que ele conheceu em num parque, acho eu, que "não falava sobre as coisas, falava sobre o sentido das coisas, sentava-se ali e sabia que estava vivo"(p. 101), e daí ele vai atrás desse velhinho que atendia por Faber Castell e que doravante iria ajudá-lo em sua busca pelo tão mencionado pelo E.T. Bilu, conhecimento.
     Algumas coisas acontecem, Guy tem que sair fugido da cidade, encontra um bando de gente que está num programa de aceleração do crescimento "eternização" dos livros que consiste em guardá-los na memória e junta-se a eles.
     Aí no final a cidade explode com uma bomba nuclear e todo mundo morre, menos os "recordadores" não pude evitar a neologia e, possivelmente, Faber.

Minha Opinião 
     Bons livro. Fahrenheit 451 é único! No momento em que eu terminei de ler, eu quase virei o livro e comecei novamente, porque é uma experiência que é digna de ser repetida muitas e muitas vezes.
     Há pouco tempo eu terminei um estudo sobre estética contemporânea, para a aula de Filosofia, e isso meio que acompanha completamente o espírito do livro, em que a cultura pura e expressiva é deixada de lado, favorecendo a cultura puramente estética e massificada. Não que eu queira dizer que a literatura é o único tipo de arte que adiciona uma perspectiva de futuro ao mundo, mas que ela pesa nisso, isso sim.
     Talvez esse seja um livro que guarde todas as suas mais esplendorosas nuances para aqueles que, de alguma forma, se importam com o rumo que a literatura está tomando no mundo tecnológico, mas creio que mesmo para os cosmopolitas umbiguistas o livro revele uma face maravilhosa, porque, afinal, a história é ótima independentemente da metalinguagem.
     Como sempre reitero, para uma melhor ideia do livro, sempre é melhor lê-lo você mesmo. (y)


      Até mais. o/

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Resenha - Gothica

Livro: Gothica (Contos)
Autor: Gustave Flaubert
Tradutora: Raquel de Almeida Prado
Berlendis & Vertecchia Editores
126 páginas
Nota no Skoob:
2 estrelas (regular)


               Um Flaubert novo, quase desconhecido - jovem, exercita-se como narrador, cria personagens diabólicos, mas também profundamente humanos. Um Falubert que brinca com a parafernália gótica, dando vazão a uma imaginação alucinada. Se o leitor busca bom entretenimento, ele encontrará aqui o frescor irônico de um gênero que sempre contou com um público fiel - pois a inspiração gótica adaptou-se à indústria cultural, passando dos livros e palcos às telas do cinema, à HQ e ao rock.


     Oi, você que está lendo essa resenha! o/
     Antes de tudo, eu queria dizer que eu não queria falar que o nome da Editora é muito bonito. Muito bonito mesmo.
     GOTHICA é mais um livro intocado que eu achei na biblioteca da escola. By the way, lendo alguns posts da série “A biblioteca da minha escola” do Livros e afins, eu percebo o quanto a biblioteca da minha escola é boa...
     Pra quem não se lembre, ou não saiba, Flaubert é o autor de Madame Bovary, livro que, falando nisso, já está localizado na biblioteca da escola e já está na fila – gigantesca fila, diga-se de passagem – de livros para eu ler.
     Devaneios à parte, à resenha.


Histórias
     Raiva e Impotência
     Sendo o mais suscinto e fiel possível, Raiva e Impotência relata a história de um homem TACITURNO (note-se isso), que foi enterrado vivo porque seu sono era muito pesado.

     A Peste Em Florença
     Como está escrito na apresentação do livro, escrita pela tradutora, em A Peste em Florença tem-se a sequência: profecia, maldição, traição, vingança. Trata-se da história de uma família, mais especificamente  de dois irmãos, que foram visitar uma velha mucho loca vidente/cartomante, que disse que haverá inveja e ódio na vida de um deles e que o outro prosperará muito em poucos dias ou alguma coisa assim. De fato, um deles virou cardeal, e o outro foi ficando quieto, amuado, rechaçado e TACITURNO (note-se isso). Aí um matou o outro no final.

     Bibliomania
     Esse é curioso. É a história de um velho, Giacomo, que era obcecado por livros e TACITURNO (note-se isso). Ele tinha uma biblioteca vasta, de livros, pergaminhos, manuscritos e afins e tinha raiva de um outro bibliófilo, Baptisto, que vinha comprando todos os livros raros que apareciam em leilão. Então tem uma sequência de fatos muito peculiar, que eu não vou por aqui muahaha e o final é nonsense. O curioso é que Giacomo não sabia ler Ô.ô.

     Sonho do Inferno
     É o maior conto do livro. Conta a história de nada e de ninguém; mais adiante eu explico. Trata de Arthutr de Almaröes, que é um homem muito poderoso (em todos os sentidos da palavra) e TACITURNO (note-se isso). Acontece que, de repente, Arthur leva um lero com satã (?), e este último quer levar sua alma. Mas Arthur alega que não tem alma e o capeta diz que se ele se apaixonar ele vai ver como tem alma. Então satã faz com que uma tal de Julietta caia de amores por Arthur, que nem dá bola para ela. No final Julietta se joga de um penhasco, satã convence-se de que Arthur não tem alma e vai embora e nada acontece com Arthur.

     O Funeral do Doutor Mathurin
    Desse conto eu não lembro muito sorry, mas a história é mais ou menos essa: ela trata desse Dr. Mathurin, que viva nas montanhas com seus discípulos e NÃO ERA TACITURNO (note-se isso); aí um dia ele decide morrer, morre e é enterrado. -.-

Minha Opinião 
     Ler Gothica me trouxe uma sensação de vazio interior que eu não sei explicar. Não é um vazio como se faltasse algo, mas é um vazio pleno. Ah, deixa pra lá.
     O importante é saber que: eu não me desesperei em Raiva e Impotência; eu apreciei razoavelmente A Peste em Florença; eu não achei coisa alguma de Bibliomania; eu não entendi lhufas de Sonho do Inferno; e eu achei O Funeral do Doutor Mathurin interessante, divertido e vazio. Agora destrinchemos.
     Penso que Raiva e Impotência foi escrito para gerar desespero no leitor, afinal, Ohmlyn é enterrado vivo! Mas eu não me desesperei... Não sei por que, mas não capturou-me a atenção o suficiente.
     D’A Peste em Florença eu gostei da cena em que Garzia mata Francesco, da loucura que emana dessa cena. Adoro pessoas loucas s2. Do resto do conto eu não tenho nada a dizer, porque ele não significou nada para mim.
     Bibliomania é pointless. Só isso.
    Sonho do Inferno é muito abstrato; imaginativo demais. Afora ser completamente desprovido de razão, ele é completamente desprovido de razão só pra fixar e acaba como começa: em lugar algum. Eu não acompanhei muito a história, não sei se porque atei-me por demais à razão ou se porque não fui com a cara de Arthur. Eu tive náuseas enquanto eu lia esse conto, provavelmente porque eu não me prendi ao conto e ele não oferecia nada que me prendesse. Resumindo, esse conto é bizarro, intelectualmente cacofônico e vazio. (Acho que são os cabelos de Arthur que estampam a capa do livro.)
    O Funeral do Doutor Mathurin me lembrou de uma parte da música “Elephant Gun - Beirut": “As did I, we drink to die / We drink tonight”. Mathurin morreu pleno, ele decidiu que queria morrer e assim o fez.: morreu feliz e bebendo. E que ideia é essa de ir passear com defuntos pela cidade? Esse é o melhor conto do livro, na minha opinião, mas é vazio mesmo assim.
     Eu não quero falar que Gothica é ruim, porque contos como o último e o segundo são bons, mas eu achei ele regular, talvez porque eu não abstraí o suficiente. Mas, enfim, leia e decida-se por si próprio sem ajuda de ninguém além de você mesmo, não abusando do pleonasmo.
     Para mim, em matéria de contos ninguém supera J. L. Borges =).

     Até mais. o/

terça-feira, 21 de junho de 2011

Resenha - O Médico e o Monstro

Livro: O Médico e o Monstro
Autor: R. L. Stevenson
Tradutora: Heloisa Jahn
Editora Ática - 96 páginas
Nota no Skoob:3 estrelas (Bom)



     As suspeitas começaram quando Mr. Utterson, um circunspecto advogado londrino, leu o testamento de seu velho amigo Henry Jekyll. Qual era a relação entre o respeitável Dr. Jekyll e o diabólico Edward Hyde? Quem matou Sir Danvers, o ilustre membro do parlamento londrino?
     Assim começa uma das mais célebres histórias de horror da literatura mundial. A história assustadora do infernal alter ego do Dr. Jekyll e da busca através das ruas escuras de Londres que culmina numa terrível revelação. Sinopse aqui.



     Oi, você que está lendo essa resenha! o/
     O que a escola não faz com a capacidade de blogar e de ler de uma pessoa?! 96 páginas! Só! E foram 5, cinco, cinque, five, 五 (go), dias pra ler! E mais uma semana procrastinando a resenha! Certo, mas eu amo a escola forever.
     Mais um livro muito conhecido e encontrado nas profundas reentrâncias das prateleiras da biblioteca da escola. Once more, a foto que está ali em cima não a capa do livro que eu li, mas não achei nenhuma imagem grande o bastante pra não pixelizar - não sei se essa é a palavra certa, mas a frase está entendível..
     Devo dizer que essa resenha happened to be bem diferente das outras. O que você vai ler lá no "Minha Opinião" é mais um registro de pensamentos aleatórios do que uma dissertação propriamente dita.

Cenário
     "Cidade gélida, com seu ar contaminado pelos gases industriais e escurecendo pela forte neblina, a Londres de mil oitocentos e tantos era o cenário perfeito para uma história de terror: sua propensão a epidemias era proporcional à expansão do submundo urbano, e seus contrastes sociais eram agravados pela violência generalizada." Paráfrase da página 13
História
     Vou ser o mais sucinto possível, porque o livro – e a história, de certo ponto de vista – não é muito grande.
     Dr. Jekyll, médico, amigo e cliente de Mr. Utterson, um advogado nem tão taciturno e reservado isso não é redundante? faz seu testamento dando absolutamente todo o seu patrimônio a um indivíduo alcunhado Mr. Edward Hyde; entretanto, quando o tal Mr. Hyde começa a ser conhecido pelas atrocidades que ele comete, a sanidade de Jekyll (por confiar em Hyde) torna-se duvidosa.
     Utterson então passa a observar e tentar descobrir o que se passa com Jekyll e por que existe essa estreita ligação entre ele e Hyde.

Minha Opinião 
     O Médico e o Monstro é uma história bem curta; e não digo isso com base no número de páginas, mas sim porque a história (entenda-se como “comprimento/extensão do conteúdo fictício que o livro contém) é realmente muito curta. Certo, resumindo: O livro tem a introdução à história, e então vem o desfecho. E pronto, só.
     Não entendo por que todo personagem de história de suspense/terror/mistério tenha que ser obrigatoriamente taciturno/ostracista, sendo que isso só serve, por vezes, para adornar o enredo. Personagens que são tachados de taciturnos, por algum motivo sobrenatural, tornam-se verborrágicos assim que a história começa. #curioso
     Outro fato digno de nota: o suicídio de Hyde no final. Se a personalidade dominante no momento em que Utterson e Poole arrombaram a porta era Hyde, porque cargas d’água ele matou-se a si mesmo suicidando-se? Teria ele feito disso sua derradeira vingança contra Jekyll? Ou teria a personalidade do bondoso Dr. Jekyll, escondida nos mais profundos fossos do âmago da alma de Hyde, dado um surto espetacularmente forte que fosse capaz de controlar por alguns instantes as ações de Hyde? Haja paciência para se pensar em questões assim. Ora bolas, ele morreu porque o autor quis. Então, ponto final.
     Realmente, se pararmos para analisar, o anonimato traz liberdade e poder, e, do mesmo jeito que Jekyll descobriu isso através de Hyde, muitas pessoas descobrem hoje através da internet. Os aspectos mais obscuros da personalidade de uma pessoa, seus prazeres mais bizarros, vêm à tona quando se pode deixar de ser “si mesmo” por algum momento. É um pensamento do tipo: não vou ser eu quem vai ter que sofrer com as consequências disso mesmo. Me achei psicólogo agora
     Quando Jekyll cede ao vício de virar Hyde, para mim, ele exterioriza a sua vontade de deixar de ser quem é, digo, as pessoas não querem deixar de ser quem elas pensam que são para virarem quem elas são, porque isso caracterizaria a destruição de toda a vida construída em cima de uma coisa que se achava ser o “caminho correto”. Psicólogo ou louco?
     Jekyll relata que, quando virou Hyde nas primeiras vezes, se entregou aos seus prazeres mais obscuros, ou seja, Hyde não é o lado “mau” dele, mas somente o lado “verdadeiro”. Se esse lado verdadeiro só se desenvolveu de uma vontade de fazer o que não podia – sim, pois Jekyll era “o bom e amistoso Jekyll”, sendo que isso, de certa forma limitava a sua liberdade de “ser” -, eu não sei, mas que Jekyll gostava de virar Hyde, ah! gostava.
     Who’d have known?
     Anyway, é um bom livro e, se não fosse a tonelada de trabalhos que eu tinha e ainda tenho que fazer, eu teria lido em um dia só. Captura muito bem a atenção do leitor.

      Até mais. o/

sábado, 14 de maio de 2011

Resenha - Bom-Crioulo

Livro: Bom-Crioulo
Autor: Adolfo Caminha
Editora Ática – 110 páginas
Nota no Skoob:
4 estrelas (Muito Bom)

               Uma grande amizade pode levar ao crime? Ou existia algo mais entre Amaro e Aleixo? Que papel Carolina exercia entre os dois? Bom-Crioulo conta uma história de paixão e tragédia, ambientada no porto do Rio de Janeiro, do século passado [século XIX]. Baseado em fato real, Adolfo Caminha ousou abordar temas que escandalizaram o público de sua época, neste romance sempre atual.





     Oi, você que está lendo essa resenha! o/
     Sim, eu sei. ‘Marcada’ já está fazendo aniversário ali no ‘Estou Lendo’. Mas é que cada vez que eu vou à biblioteca devolver os livros que eu leio, eu não resisto e acabo pegando outro livro... É mais forte que eu. Mas, enfim...
     É curioso como eu resolvi ler esse livro. Eu já tinha ouvido falar dele em algum dia na minha vida – o qual eu não me recordo, mas tenho certeza que já ouvi falar. Esses dias atrás (7 dias atrás, para ser exato), um amigo meu que mora noutra cidade veio pra cá, e, papo vai papo vem, ele disse que nesse bimestre estava lendo Bom-Crioulo. Na segunda-feira, indo devolver "O Velho e O Mar", olho para o lado e, bem ali, no meio da fileira da letra B, meu olho avista exatamente o título na vertical: Bom-Crioulo. Ah!, desse jeito não tinha como não ler...

Cenário
     Eu poderia dizer que o cenário é o Rio de Janeiro do fim do séc XIX, a forte força entidade que era a marinha, etc, etc; mas o romance é muito mais psicológico do que físico (físico em termos de influências externas, como época, circunstância), então, o cenário acaba sendo, principalmente, a mente de Amaro.

História
     Amaro, também conhecido como Bom-Crioulo, um ex-escravo fugido, serve na marinha do Brasil. Sua vida sofrida de escravo acaba quando ele descobre quão alegre é a liberdade que se sente ao deparar-se com a imensidão do mar. Poesias à parte, toda a euforia da imensidão do mar e blá blá blá uma hora passa, afinal, vira rotina.

      Até que um dia, embarca um novo grumete: Aleixo, um efebo imberbe, ingênuo, frágil. Amaro apaixona-se de imediato por Aleixo, uma paixão animal, que provoca nele a vontade de possuir Aleixo só para si, como que por laços matrimoniais.
     Aleixo cede aos encantos de Amaro e deixa-se estar com o negro. Bom-Crioulo então começa a idealizar o futuro dos dois, juntos, felizes e unidos. Aluga então um quartinho de uma portuguesa chamada Carolina, e vai lá morar com Aleixo.
     Depois de algum tempo, Amaro acaba mudando de embarcação, o que faz com que ele trabalhe muito mais, tendo que deixar Aleixo sozinho na casa, vulnerável aos encantos de Carolina, que quer tê-lo para si também.
     E chega de história...

Minha Opinião 
     Primeiro: o livro é naturalista. E agora você pergunta: 'tá, e daí?'. Acontece que, devido à escola literária naturalista, a narrativa descritiva do livro é minuciosa e sem-vergonha despudorada, além de ser neutra, impessoal.
     Deixando um pouco o tema de lado, e falando sobre a narrativa em si, eu achei que o livro começa com uma abordagem muito sensual, que vai abrandando com o passar das páginas. No final do livro, o que resta é a essência do livro: a grande paixão de Amaro por Aleixo. Anyway, o rico vocabulário que o autor usa para descrever, não só as cenas sensuais, mas o livro inteiro, é ótimo, e faz do livro extremamente recomendável.
     Atual ou antigo, um livro que fale de homossexualismo nunca é bem aceito. As pessoas já têm um pré-conceito em relação ao livro, acham que é péssimo e nem lêem. De qualquer modo, o autor não apoia nem despreza o homossexualismo: só retrata um excerto da história em que um homem amou uma pessoa do mesmo sexo e ponto.
    Diz-se que o livro fala da paixão entre Amaro e Aleixo, mas, na verdade, eu achei que a situação é melhor colocada falando-se da paixão de Amaro por Aleixo, sem reciprocidade, pois, afinal, quando Carolina abriu as pernas, Aleixo foi correndo pra ela. Amaro? Amaro que se exploda! Deve ter morrido, enfim.
     Não entendi por que Aleixo se rendeu às carícias de Amaro, se ele reitera várias vezes no livro que 'amor não sentia por ele, só pena'. Seria algum modo de justificar-se por ter ficado com Carolina? Quando a mesma lhe contou sobre o bilhete de Amaro ele ficou todo estremecido querendo ir ver o Bom-Crioulo.
     Bom-Crioulo, que nunca tinha amado alguém antes, ao se deparar com esse "amor à primeira vista", e por uma pessoa do mesmo sexo ainda!, entrega-se totalmente a isso. Ele ama demais, confia demais, acredita demais. Ele ama demais Aleixo, querendo-o só  para si, sem sequer ser tocado por ninguém mais; uma paixão um pouco paternal até. Ele confia demais em Aleixo - tanto que, sempre que pensava em ter sido traído, Aleixo estaria nos braços de outro homem - e em D. Carolina (Não, não gostei dela. Safada.).
     É muito interessante o desfecho da história. Interessante é diferente de justificável, só pra lembrar.
     Acho que comecei a comentar demais sobre a história... Enfim, o livro é muito bom, muito bem escrito e muito corajoso. Imagine só a polêmica que ele deve ter gerado! Para usar a gíria adequada: "Bom-Crioulo causou muito!". Rsrs.
"Como é que se compreendia o amor, o desejo da posse animal entre duas pessoas do mesmo sexo, entre dois homens?" Pg. 29.

      Até mais. o/

domingo, 8 de maio de 2011

Resenha - O Velho e o Mar

Amo muito esssa capa!
Livro: O Velho e o Mar
Autor: Ernest Hemingway
Tradutor: Fernando de Castro Ferro
Editora Bertrand Brasil
126 páginas
Nota no Skoob: 5 estrelas (ótimo)

      Best-seller em todo o mundo e também no Brasil, O Velho e o Mar conta a história de um pescador que, depois de 84 dias sem apanhar um só peixe, acaba fisgando um de tamanho descomunal, que lhe oferece inusitada resistência e contra cuja força tem de opor a de seus braços, do seu corpo, e, mais que tudo, de seu espírito.
    Um homem só, no mar alto, com seus sonhos e pensamentos, suas fundas tristezas e ingênuas alegrias, amando com certa ternura o peixe com que trava ingente luta até levá-lo a uma derrota leal e honesta.
      Uma obra-prima da literatura contemporânea, dotada de profunda mensagem de fé no homem e em sua capacidade de superar as limitações a que a vida o submete.

     Oi, você que está lendo essa resenha! o/
     O Velho e o Mar é um caso sério em minha vida.
     Antes de tudo, quero dizer que todas as vezes que eu li ele, foi emprestado da biblioteca da escola. A primeira vez que eu li foi em 2003, quando eu estava na 3ª série, com 9 anos. Obviamente que não gostei, afinal, naquela época eu me interessava muito mais por Mark Twain - que, por sinal, foi muito presente na minha infância - do que por Hemingway, Kafka, Dostoiévski, etc.
      Passou 2004 e 2005. Em 2006, na 6ª série, comecei a lembrar-me dele e tudo mais, e descobri que eu simplesmente amava o livro! Fui procurá-lo na biblioteca do colégio - que era outro - para lê-lo outra vez. Terminei de ler, e descobri que o livro nem era tão grande coisa.
     Enfim, resumindo, na 8ª série, em 2008, bateu saudades do livro outra vez, peguei ele de novo, li e não gostei. Outra vez.
     É incrível isso... eu só gosto desse livro um ano depois que eu termino de ler. o.O Esse ano, resolvi emprestar ele mais uma vez porque já estava com vontade de ler mais uma vez. Vá entender...

Cenário
     A grosso modo: o mar e o barco do velho. Mas, não sei... tem algo de abstrato na história, algo que está ali presente e você sabe que a história se passa realmente ali, mas eu não consegui identificar o que é...

História
     Santiago é um velho pescador que já não pesca nada há 84 dias.
    Sempre persistente, no dia 85 lança-se ao mar uma vez mais, com fé e esperança de que a sorte lhe reserve um bom peixe. Entretanto, acaba fisgando um peixe muito maior do que esperava, e, em seu embate com o peixe, vê-se na obrigação de aplicar todas as suas forças para capturá-lo.
     E o livro envereda pela luta do velho com o peixe, na imensidão do mar.
    Embora a história seja sempre focada no velho, apesar do estilo em 3ª pessoa, é importante citar que existe também Manolin, um menino que costumava pescar com Santiago, mas que agora pesca em outro barco. É Manolin quem cuida de Santiago, no sentido de levar-lhe café pela manhã, levar-lhe o jornal do dia, etc.

Minha Opinião 
     Ainda não amo esse livro, mas sei que daqui há um mês vai ser um dos meus preferidos. Não me pergunte o porquê. E, embora ele seja curto, ele é tão grande! Pelo menos, para mim.
     Uma coisa que está sempre presente no livro é a solidão do Velho. No modo como ele age, no modo como ele pensa, nas coisas que ele deseja e até mesmo em sua relação com o menino.
     Outra coisa que percebi, é que Santiago não é uno, no sentido de que ele não é O Velho, mas sim as pernas, as mãos, as costas e a cabeça (mente) do Velho. Ele confia em cada parte do corpo, como se o modo de agir de cada uma delas fosse independente. Eu percebo isso pelas passagens em que ele fala que a 'mão esquerda sempre fora uma traidora' e pelo excesso de descrição das mãos dentro do pensamento do Velho. A mente/cabeça sempre desempenha um papel de conselheira e motivadora. Em uma parte que ele fala que já está 'farto de conselhos', é como se fosse o corpo - dessa vez representando a unidade de mãos, braços, costas e pernas - que arguisse com a cabeça.
     O menino me passa a sensação de que vê o Velho como um avô, mas eu não consigo sentir a reciprocidade desse sentimento. Santiago, para mim, é indiferente a relações sociais, e, embora eu saiba que na verdade ele não é, talvez isso reflita algo de mim na minha leitura. Vale ressaltar que as interações dele com elementos 'não-humanos' ou, pelo menos, 'humanos-não-presentes' é muito mais intensa, haja vista a sua relação íntima com o barco, o mar, a linha e o peixe, além de seus diálogos - monólogos? - sobre DiMaggio e Manolin, quando este não está presente. Aliás, eu consigo ver a relação dele com o menino quando ele está em alto mar, quando o menino não está presente.
     A relação dele com o peixe é linda, magnífica. O peixe é um irmão e um adversário. O combate com o peixe é como se fosse um combate mortal: ou o Velho ganha, ou o peixe. É um sentimento muito paradoxal.

Considerações Finais
     Resumindo uma citação de Cyril Connolly na orelha do livro: "Compre o livro, leia-o imediatamente, deixe passar alguns dias e irá verificar que nenhuma página desta bela obra-prima poderia ter sido escrita melhor ou de forma diferente." Para mim, isso resume tudo.

      Até mais. o/

domingo, 1 de maio de 2011

Resenha - A Revolução dos Bichos

Essa não é a capa do livro que eu li, mas só achei ela.
Essa edição da Cia das Letras tem mais páginas, pro-
vavelmente, por causa do posfácio.
Livro: A Revolução dos Bichos
Autor: George Orwell
Tradutor: Heitor Aquino Ferreira
Editora Globo – 118 páginas
Nota no Skoob: 5 (Ótimo)




               Depois de conseguirem se livrar de seu algoz, o terrível Sr. Jones, os animais da Granja do Solar criaram suas próprias leis e imaginaram um mundo utópico de liberdade e plenitude. Porém uma cruel elite assumiu o controle da sociedade e os bichos se viram novamente enredados num regime totalitário, como nos velhos tempos. Esta fábula, habilmente construída por George Orwell, sobre a traição a um ideal, pelos caminhos da tirania e da corrupção, é ainda tão atual e relevante quanto o foi, em 1945, data de sua primeira publicação.




     Oi, você que está lendo essa resenha! o/
     Esses tempos atrás, a Suma de Letras fez uma promoção no twitter na qual os três (eu acho) primeiros que tuitassem o nome de um livro, publicado antes de 1950 (eu acho, também) e com o tema Distopia - aliás, eu nunca tinha ouvido na vida essa palavra -, ganhariam o livro Destino.
     Não, eu não participei da promoção. Acontece que eu fui pesquisar sobre o tema e achei aqui uma lista com os tais livros distópicos. A Revolução dos Bichos está nesta lista e, como eu já havia ouvido falar de George Orwell, embora nunca houvesse lido, interessei-me por ele, o livro.
     No dia seguinte, passeando na biblioteca do colégio, dei de cara com ele. Quase que levei, mas, como eu estava lendo As Brumas de Avalon, resolvi deixar pra depois. Bem, agora é depois, então peguei ele anteontem na biblioteca e terminei de ler ontem ^-^.

Cenário
     Aí depende do modo como você lê. Se você está lendo ele objetivamente, o cenário é este: Granja do Solar, uma não-tão-pequena-assim granja situada em um condado em algum lugar na Inglaterra.
     Agora, se você está lendo subjetivamente, então o cenário é este: A URSS stalinista do século XX.

História
     Major, um porco premiado em uma exposição que vivia na Granja, um dia, convocou todos os bichos para uma reunião: ele tivera um sonho estranho e queria compartilhá-lo com todos. Porém, antes de contar o sonho, Major discorre sobre a situação atual dos bichos da granja, que trabalham muito e não podem fruir do resultado de seu trabalho, têm comida limitada e, mais cedo ou mais tarde, vão acabar mortos por Jones, o dono da Granja do Solar. Os bichos, então, principalmente os porcos - que são os que tem inteligência mais desenvolvida -, conscientizam-se disso e começam a sonhar com um lugar sem humanos, governado pelos e para os bichos. Eles sabem que chegará o dia em que os bichos expulsarão o Sr. Jones da Granja e governarão a mesma.
     Um dia, devido a certas circunstâncias, a Rebelião acontece. O Sr. Jones é expulso, junto com sua mulher e seus capangas / peões, e, em seu lugar, Bola-de-Neve e Napoleão - dois porcos, que eram os mais adeptos das ideias de Major - fundam o Animalismo e começam a governar a Granja doravante. Porém, acontecem algumas coisas aí cortando-a-história e uma elite toma o poder da Granja, estabelecendo um regime totalitário.

Minha Opinião 
     É um livro magnífico! Principalmente por tratar tão bem da situação da URSS totalitarista, governada por Stálin, de um modo tão sutil!
     Se uma pessoa que lê este livro não estabelece nenhuma conexão entre o Socialismo e o Animalismo, recomendo que leia de novo e desta vez preste atenção, porque é mais óbvio do que a soma de 1 com 1.
     Nunca gostei muito de porcos - nada contra, também -, mas devo dizer duas coisas: Bola-de-neve é aceitável adorável e Napoleão é muito-à-enésima-potência irritante. Poxa, porque destruir uma sociedade que estava tão bem organizada? E ele nem morre no final... safado.
     Um dos trabalhos que eu mais gostei de fazer na escola - tanto que fiz 2 vezes, na 8ª do fundamental e no 2º do médio - foi sobre a Revolução Russa de 1917, e, mesmo ele sendo mais focado na Revolução e não no pós-revolução, eu sabia alguma coisa do regime de Stálin. Devo dizer, antes, que a expulsão do Sr. Jones e a do Czar são muito-muito semelhantes. Algumas semelhanças que eu identifiquei também foram: a NAP, a derrubada de Trótski e o Grande Expurgo; não necessariamente nessa ordem.
     Um personagem que me intrigou foi o corvo Moisés. De certa forma, para mim, ele simbolizaria algum tipo de religião, haja vista suas palestras sobre a Montanha de Açúcar-Cande e tudo mais. Entretanto, a URSS, para mim, novamente, nunca teve um estereótipo de religião - por exemplo, no Brasil predomina o catolicismo, nos EUA o protestantismo, etc. Não que seu saiba... Mas, enfim.
     Não sei, nem pesquisei, sobre como foi a repercussão do livro na época - 1945 -, mas Orwell teve muita coragem pra publicar esse livro...
    Duas citações ótimas do livro:
"Moinho ou não moinho, dizia ele [Benjamim], a vida seguiria como sempre - ou seja, mal."
     Adoro esse burro! Principalmente pela taciturnidade dele. Essa citação de cima está na pg. 45 e essa aqui de baixo esta na página 112.
"Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que os outros"
     Essa é ótima. Os porquinhos tentando justificar a sua violação às bases do Animalismo. Acho que, no fundo, eles sabiam que estavam errados, pois tentavam justificar, mudando as regras. E, cada vez mais, eu percebo que o elitismo é inerente ao ser humano.
     É um livro muito gostoso de se ler... a leitura flui e não cansa.
     Enfim, graças à biblioteca da escola - love you biblioteca da escola s2 - esse é mais um clássico que entra para a minha lista de lidos. Thumbs up!

      Até mais. o/