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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Resenha - House of Night: Marcada

Livro: Marcada
Autoras: P.C e Kristin Cast
Tradutor: Johann Heyss
Série: House of Night, Livro 1
Editora Novo Século – 310 páginas
Nota no Skoob: 3 Estrelas (Bom)



               Em The House of Night você vai conhecer um mundo parecido com o nosso,exceto pelo fato de que nele os vampiros sempre existiram e convivem tranquilamente com as pessoas normais. No primeiro volume, Marcada, Zoey, uma garota de 16 anos,acaba de receber uma marca que vai transformar a sua vida por completo.Zoey terá que se afastar de seus amigos e de tudo aquilo que fazia parte da sua vida até então. A menina vai se transformar em vampira e usufruir de poderes que ela nem imaginava possuir. Mas para isso ela precisa suportar o difícil período de transformação, caso contrário morrerá.  Sinopse aqui.

     Oi, você que está lendo essa resenha! o/
     Eu já tinha começado a ler Marcada, pelo computador, logo depois que lançou, mas não cheguei ao fim, porque descobri que não gosto de ler pelo computador.
     Depois que eu terminei "As Brumas de Avalon", o plano era ler "Marcada", mas eu acabei tendo que ir na biblioteca da escola pesquisar algumas coisas e, é claro, dei uma olhada nos livros e peguei alguns. A partir de então, foi uma luta pra conseguir parar de pegar livros da biblioteca pra me concentrar só em "Marcada".
     Mas, enfim, terminei de ler ele e aqui está a resenha: :-)

Cenário
     Um mundo extremamente semelhante ao nosso, exceto pelo fato de que aqui (no mundo do livro) os vampiros são comuns, andam por aí, fazem sucesso, ganham dinheiro e tudo mais.

História
     Zoey, uma garota normal, que faz coisas normais e estuda em um colégio normal de pessoas normais, é Marcada para se transformar em vampira, o que é algo anormal. Ela tem que ir imediatamente para a Morada da Noite - um colégio feito para vampiros novatos - senão seu corpo enfraquecerá e ela morrerá.
     Mas Zoey é especial. Ela tem uma Marca diferente de todos os outro novatos, pois ela foi tocada pela Deusa.
     Chegando à Morada, ela vê a necessidade de se inserir na vida estudantil e social dos vampiros novatos, tarefa árdua para uma novata com uma Marca diferente, que se destaca dos demais.
     É uma história muito interessante, cheia de intrigas, reviravoltas e paixões, tudo dentro da vida colegial noturna dos vampiros.

Minha Opinião 
    "Ok", "Hello", "Tipo", "Cara" e afins, são expressões que aparecem frequentemente na narrativa, coisa que eu não gostei. Tipo, cara, ler um livro com, tipo, gírias escritas por toda parte, é a mesma coisa que ouvir aquelas pessoas que falam o "português-bem-dizido". Fora que os adjetivos, largamente usados nas descrições, não fazem par com o estilo usado para escrever as falas. Mas, bem, a capa é linda.
    Não obstante, o livro é muito engraçado. Admito que ri muito com ele. E as cenas de ação, principalmente a última, realmente prendem o leitor (eu, pelo menos).
   Um elemento que me chamou a atenção foi a escola. Sim, eu amo escolas, e muito-ao-cubo. A maioria dos livros no qual aparece uma escola, eu provavelmente vou gostar - da escola. A história do livro pode ser péssima, mas a escola sempre vai ser um ponto forte (eu espero).
    É uma leitura bem rápida - embora eu tenha demorado pra ler por causa do meu vício nos livros biblioteca - porque a história tem que ser lida e não entendida, se é que me entende; e as letras são bem grandes.
    Apesar das críticas ao livro por causa da semelhança com Crepúsculo, eu acho que as únicas semelhanças são o fato de o livro tratar de vampiros e a narrativa em 1ª pessoa.
    Em suma, não é um livro ruim. É um livro simples de se ler e bem superficial, sem muita psicologia. E tem uma escola nele \o/.

      Até a próxima. o/

sábado, 14 de maio de 2011

Resenha - Bom-Crioulo

Livro: Bom-Crioulo
Autor: Adolfo Caminha
Editora Ática – 110 páginas
Nota no Skoob:
4 estrelas (Muito Bom)

               Uma grande amizade pode levar ao crime? Ou existia algo mais entre Amaro e Aleixo? Que papel Carolina exercia entre os dois? Bom-Crioulo conta uma história de paixão e tragédia, ambientada no porto do Rio de Janeiro, do século passado [século XIX]. Baseado em fato real, Adolfo Caminha ousou abordar temas que escandalizaram o público de sua época, neste romance sempre atual.





     Oi, você que está lendo essa resenha! o/
     Sim, eu sei. ‘Marcada’ já está fazendo aniversário ali no ‘Estou Lendo’. Mas é que cada vez que eu vou à biblioteca devolver os livros que eu leio, eu não resisto e acabo pegando outro livro... É mais forte que eu. Mas, enfim...
     É curioso como eu resolvi ler esse livro. Eu já tinha ouvido falar dele em algum dia na minha vida – o qual eu não me recordo, mas tenho certeza que já ouvi falar. Esses dias atrás (7 dias atrás, para ser exato), um amigo meu que mora noutra cidade veio pra cá, e, papo vai papo vem, ele disse que nesse bimestre estava lendo Bom-Crioulo. Na segunda-feira, indo devolver "O Velho e O Mar", olho para o lado e, bem ali, no meio da fileira da letra B, meu olho avista exatamente o título na vertical: Bom-Crioulo. Ah!, desse jeito não tinha como não ler...

Cenário
     Eu poderia dizer que o cenário é o Rio de Janeiro do fim do séc XIX, a forte força entidade que era a marinha, etc, etc; mas o romance é muito mais psicológico do que físico (físico em termos de influências externas, como época, circunstância), então, o cenário acaba sendo, principalmente, a mente de Amaro.

História
     Amaro, também conhecido como Bom-Crioulo, um ex-escravo fugido, serve na marinha do Brasil. Sua vida sofrida de escravo acaba quando ele descobre quão alegre é a liberdade que se sente ao deparar-se com a imensidão do mar. Poesias à parte, toda a euforia da imensidão do mar e blá blá blá uma hora passa, afinal, vira rotina.

      Até que um dia, embarca um novo grumete: Aleixo, um efebo imberbe, ingênuo, frágil. Amaro apaixona-se de imediato por Aleixo, uma paixão animal, que provoca nele a vontade de possuir Aleixo só para si, como que por laços matrimoniais.
     Aleixo cede aos encantos de Amaro e deixa-se estar com o negro. Bom-Crioulo então começa a idealizar o futuro dos dois, juntos, felizes e unidos. Aluga então um quartinho de uma portuguesa chamada Carolina, e vai lá morar com Aleixo.
     Depois de algum tempo, Amaro acaba mudando de embarcação, o que faz com que ele trabalhe muito mais, tendo que deixar Aleixo sozinho na casa, vulnerável aos encantos de Carolina, que quer tê-lo para si também.
     E chega de história...

Minha Opinião 
     Primeiro: o livro é naturalista. E agora você pergunta: 'tá, e daí?'. Acontece que, devido à escola literária naturalista, a narrativa descritiva do livro é minuciosa e sem-vergonha despudorada, além de ser neutra, impessoal.
     Deixando um pouco o tema de lado, e falando sobre a narrativa em si, eu achei que o livro começa com uma abordagem muito sensual, que vai abrandando com o passar das páginas. No final do livro, o que resta é a essência do livro: a grande paixão de Amaro por Aleixo. Anyway, o rico vocabulário que o autor usa para descrever, não só as cenas sensuais, mas o livro inteiro, é ótimo, e faz do livro extremamente recomendável.
     Atual ou antigo, um livro que fale de homossexualismo nunca é bem aceito. As pessoas já têm um pré-conceito em relação ao livro, acham que é péssimo e nem lêem. De qualquer modo, o autor não apoia nem despreza o homossexualismo: só retrata um excerto da história em que um homem amou uma pessoa do mesmo sexo e ponto.
    Diz-se que o livro fala da paixão entre Amaro e Aleixo, mas, na verdade, eu achei que a situação é melhor colocada falando-se da paixão de Amaro por Aleixo, sem reciprocidade, pois, afinal, quando Carolina abriu as pernas, Aleixo foi correndo pra ela. Amaro? Amaro que se exploda! Deve ter morrido, enfim.
     Não entendi por que Aleixo se rendeu às carícias de Amaro, se ele reitera várias vezes no livro que 'amor não sentia por ele, só pena'. Seria algum modo de justificar-se por ter ficado com Carolina? Quando a mesma lhe contou sobre o bilhete de Amaro ele ficou todo estremecido querendo ir ver o Bom-Crioulo.
     Bom-Crioulo, que nunca tinha amado alguém antes, ao se deparar com esse "amor à primeira vista", e por uma pessoa do mesmo sexo ainda!, entrega-se totalmente a isso. Ele ama demais, confia demais, acredita demais. Ele ama demais Aleixo, querendo-o só  para si, sem sequer ser tocado por ninguém mais; uma paixão um pouco paternal até. Ele confia demais em Aleixo - tanto que, sempre que pensava em ter sido traído, Aleixo estaria nos braços de outro homem - e em D. Carolina (Não, não gostei dela. Safada.).
     É muito interessante o desfecho da história. Interessante é diferente de justificável, só pra lembrar.
     Acho que comecei a comentar demais sobre a história... Enfim, o livro é muito bom, muito bem escrito e muito corajoso. Imagine só a polêmica que ele deve ter gerado! Para usar a gíria adequada: "Bom-Crioulo causou muito!". Rsrs.
"Como é que se compreendia o amor, o desejo da posse animal entre duas pessoas do mesmo sexo, entre dois homens?" Pg. 29.

      Até mais. o/

domingo, 8 de maio de 2011

Resenha - O Velho e o Mar

Amo muito esssa capa!
Livro: O Velho e o Mar
Autor: Ernest Hemingway
Tradutor: Fernando de Castro Ferro
Editora Bertrand Brasil
126 páginas
Nota no Skoob: 5 estrelas (ótimo)

      Best-seller em todo o mundo e também no Brasil, O Velho e o Mar conta a história de um pescador que, depois de 84 dias sem apanhar um só peixe, acaba fisgando um de tamanho descomunal, que lhe oferece inusitada resistência e contra cuja força tem de opor a de seus braços, do seu corpo, e, mais que tudo, de seu espírito.
    Um homem só, no mar alto, com seus sonhos e pensamentos, suas fundas tristezas e ingênuas alegrias, amando com certa ternura o peixe com que trava ingente luta até levá-lo a uma derrota leal e honesta.
      Uma obra-prima da literatura contemporânea, dotada de profunda mensagem de fé no homem e em sua capacidade de superar as limitações a que a vida o submete.

     Oi, você que está lendo essa resenha! o/
     O Velho e o Mar é um caso sério em minha vida.
     Antes de tudo, quero dizer que todas as vezes que eu li ele, foi emprestado da biblioteca da escola. A primeira vez que eu li foi em 2003, quando eu estava na 3ª série, com 9 anos. Obviamente que não gostei, afinal, naquela época eu me interessava muito mais por Mark Twain - que, por sinal, foi muito presente na minha infância - do que por Hemingway, Kafka, Dostoiévski, etc.
      Passou 2004 e 2005. Em 2006, na 6ª série, comecei a lembrar-me dele e tudo mais, e descobri que eu simplesmente amava o livro! Fui procurá-lo na biblioteca do colégio - que era outro - para lê-lo outra vez. Terminei de ler, e descobri que o livro nem era tão grande coisa.
     Enfim, resumindo, na 8ª série, em 2008, bateu saudades do livro outra vez, peguei ele de novo, li e não gostei. Outra vez.
     É incrível isso... eu só gosto desse livro um ano depois que eu termino de ler. o.O Esse ano, resolvi emprestar ele mais uma vez porque já estava com vontade de ler mais uma vez. Vá entender...

Cenário
     A grosso modo: o mar e o barco do velho. Mas, não sei... tem algo de abstrato na história, algo que está ali presente e você sabe que a história se passa realmente ali, mas eu não consegui identificar o que é...

História
     Santiago é um velho pescador que já não pesca nada há 84 dias.
    Sempre persistente, no dia 85 lança-se ao mar uma vez mais, com fé e esperança de que a sorte lhe reserve um bom peixe. Entretanto, acaba fisgando um peixe muito maior do que esperava, e, em seu embate com o peixe, vê-se na obrigação de aplicar todas as suas forças para capturá-lo.
     E o livro envereda pela luta do velho com o peixe, na imensidão do mar.
    Embora a história seja sempre focada no velho, apesar do estilo em 3ª pessoa, é importante citar que existe também Manolin, um menino que costumava pescar com Santiago, mas que agora pesca em outro barco. É Manolin quem cuida de Santiago, no sentido de levar-lhe café pela manhã, levar-lhe o jornal do dia, etc.

Minha Opinião 
     Ainda não amo esse livro, mas sei que daqui há um mês vai ser um dos meus preferidos. Não me pergunte o porquê. E, embora ele seja curto, ele é tão grande! Pelo menos, para mim.
     Uma coisa que está sempre presente no livro é a solidão do Velho. No modo como ele age, no modo como ele pensa, nas coisas que ele deseja e até mesmo em sua relação com o menino.
     Outra coisa que percebi, é que Santiago não é uno, no sentido de que ele não é O Velho, mas sim as pernas, as mãos, as costas e a cabeça (mente) do Velho. Ele confia em cada parte do corpo, como se o modo de agir de cada uma delas fosse independente. Eu percebo isso pelas passagens em que ele fala que a 'mão esquerda sempre fora uma traidora' e pelo excesso de descrição das mãos dentro do pensamento do Velho. A mente/cabeça sempre desempenha um papel de conselheira e motivadora. Em uma parte que ele fala que já está 'farto de conselhos', é como se fosse o corpo - dessa vez representando a unidade de mãos, braços, costas e pernas - que arguisse com a cabeça.
     O menino me passa a sensação de que vê o Velho como um avô, mas eu não consigo sentir a reciprocidade desse sentimento. Santiago, para mim, é indiferente a relações sociais, e, embora eu saiba que na verdade ele não é, talvez isso reflita algo de mim na minha leitura. Vale ressaltar que as interações dele com elementos 'não-humanos' ou, pelo menos, 'humanos-não-presentes' é muito mais intensa, haja vista a sua relação íntima com o barco, o mar, a linha e o peixe, além de seus diálogos - monólogos? - sobre DiMaggio e Manolin, quando este não está presente. Aliás, eu consigo ver a relação dele com o menino quando ele está em alto mar, quando o menino não está presente.
     A relação dele com o peixe é linda, magnífica. O peixe é um irmão e um adversário. O combate com o peixe é como se fosse um combate mortal: ou o Velho ganha, ou o peixe. É um sentimento muito paradoxal.

Considerações Finais
     Resumindo uma citação de Cyril Connolly na orelha do livro: "Compre o livro, leia-o imediatamente, deixe passar alguns dias e irá verificar que nenhuma página desta bela obra-prima poderia ter sido escrita melhor ou de forma diferente." Para mim, isso resume tudo.

      Até mais. o/

domingo, 1 de maio de 2011

Resenha - A Revolução dos Bichos

Essa não é a capa do livro que eu li, mas só achei ela.
Essa edição da Cia das Letras tem mais páginas, pro-
vavelmente, por causa do posfácio.
Livro: A Revolução dos Bichos
Autor: George Orwell
Tradutor: Heitor Aquino Ferreira
Editora Globo – 118 páginas
Nota no Skoob: 5 (Ótimo)




               Depois de conseguirem se livrar de seu algoz, o terrível Sr. Jones, os animais da Granja do Solar criaram suas próprias leis e imaginaram um mundo utópico de liberdade e plenitude. Porém uma cruel elite assumiu o controle da sociedade e os bichos se viram novamente enredados num regime totalitário, como nos velhos tempos. Esta fábula, habilmente construída por George Orwell, sobre a traição a um ideal, pelos caminhos da tirania e da corrupção, é ainda tão atual e relevante quanto o foi, em 1945, data de sua primeira publicação.




     Oi, você que está lendo essa resenha! o/
     Esses tempos atrás, a Suma de Letras fez uma promoção no twitter na qual os três (eu acho) primeiros que tuitassem o nome de um livro, publicado antes de 1950 (eu acho, também) e com o tema Distopia - aliás, eu nunca tinha ouvido na vida essa palavra -, ganhariam o livro Destino.
     Não, eu não participei da promoção. Acontece que eu fui pesquisar sobre o tema e achei aqui uma lista com os tais livros distópicos. A Revolução dos Bichos está nesta lista e, como eu já havia ouvido falar de George Orwell, embora nunca houvesse lido, interessei-me por ele, o livro.
     No dia seguinte, passeando na biblioteca do colégio, dei de cara com ele. Quase que levei, mas, como eu estava lendo As Brumas de Avalon, resolvi deixar pra depois. Bem, agora é depois, então peguei ele anteontem na biblioteca e terminei de ler ontem ^-^.

Cenário
     Aí depende do modo como você lê. Se você está lendo ele objetivamente, o cenário é este: Granja do Solar, uma não-tão-pequena-assim granja situada em um condado em algum lugar na Inglaterra.
     Agora, se você está lendo subjetivamente, então o cenário é este: A URSS stalinista do século XX.

História
     Major, um porco premiado em uma exposição que vivia na Granja, um dia, convocou todos os bichos para uma reunião: ele tivera um sonho estranho e queria compartilhá-lo com todos. Porém, antes de contar o sonho, Major discorre sobre a situação atual dos bichos da granja, que trabalham muito e não podem fruir do resultado de seu trabalho, têm comida limitada e, mais cedo ou mais tarde, vão acabar mortos por Jones, o dono da Granja do Solar. Os bichos, então, principalmente os porcos - que são os que tem inteligência mais desenvolvida -, conscientizam-se disso e começam a sonhar com um lugar sem humanos, governado pelos e para os bichos. Eles sabem que chegará o dia em que os bichos expulsarão o Sr. Jones da Granja e governarão a mesma.
     Um dia, devido a certas circunstâncias, a Rebelião acontece. O Sr. Jones é expulso, junto com sua mulher e seus capangas / peões, e, em seu lugar, Bola-de-Neve e Napoleão - dois porcos, que eram os mais adeptos das ideias de Major - fundam o Animalismo e começam a governar a Granja doravante. Porém, acontecem algumas coisas aí cortando-a-história e uma elite toma o poder da Granja, estabelecendo um regime totalitário.

Minha Opinião 
     É um livro magnífico! Principalmente por tratar tão bem da situação da URSS totalitarista, governada por Stálin, de um modo tão sutil!
     Se uma pessoa que lê este livro não estabelece nenhuma conexão entre o Socialismo e o Animalismo, recomendo que leia de novo e desta vez preste atenção, porque é mais óbvio do que a soma de 1 com 1.
     Nunca gostei muito de porcos - nada contra, também -, mas devo dizer duas coisas: Bola-de-neve é aceitável adorável e Napoleão é muito-à-enésima-potência irritante. Poxa, porque destruir uma sociedade que estava tão bem organizada? E ele nem morre no final... safado.
     Um dos trabalhos que eu mais gostei de fazer na escola - tanto que fiz 2 vezes, na 8ª do fundamental e no 2º do médio - foi sobre a Revolução Russa de 1917, e, mesmo ele sendo mais focado na Revolução e não no pós-revolução, eu sabia alguma coisa do regime de Stálin. Devo dizer, antes, que a expulsão do Sr. Jones e a do Czar são muito-muito semelhantes. Algumas semelhanças que eu identifiquei também foram: a NAP, a derrubada de Trótski e o Grande Expurgo; não necessariamente nessa ordem.
     Um personagem que me intrigou foi o corvo Moisés. De certa forma, para mim, ele simbolizaria algum tipo de religião, haja vista suas palestras sobre a Montanha de Açúcar-Cande e tudo mais. Entretanto, a URSS, para mim, novamente, nunca teve um estereótipo de religião - por exemplo, no Brasil predomina o catolicismo, nos EUA o protestantismo, etc. Não que seu saiba... Mas, enfim.
     Não sei, nem pesquisei, sobre como foi a repercussão do livro na época - 1945 -, mas Orwell teve muita coragem pra publicar esse livro...
    Duas citações ótimas do livro:
"Moinho ou não moinho, dizia ele [Benjamim], a vida seguiria como sempre - ou seja, mal."
     Adoro esse burro! Principalmente pela taciturnidade dele. Essa citação de cima está na pg. 45 e essa aqui de baixo esta na página 112.
"Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que os outros"
     Essa é ótima. Os porquinhos tentando justificar a sua violação às bases do Animalismo. Acho que, no fundo, eles sabiam que estavam errados, pois tentavam justificar, mudando as regras. E, cada vez mais, eu percebo que o elitismo é inerente ao ser humano.
     É um livro muito gostoso de se ler... a leitura flui e não cansa.
     Enfim, graças à biblioteca da escola - love you biblioteca da escola s2 - esse é mais um clássico que entra para a minha lista de lidos. Thumbs up!

      Até mais. o/

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Resenha - As Brumas de Avalon: O Prisioneiro da Árvore


Livro: As Brumas de Avalon: O Prisioneiro da Árvore
Autora: Marion Zimmer Bradley
Tradutor: Waltensir Dutra
Coleção: As Brumas de Avalon – Livro 4
Editora IMAGO – 239 páginas
Nota no Skoob: ***** (ótimo)

               A saga do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda foi contada e recontada inúmeras vezes, principalmente como uma história de aventuras sem maior densidade. Marion Zimmer Bradley, escolheu um ponto de vista mais original e perspicaz para narrar esta história. Tomando o do ponto de vista feminino, principalmente de Morgana, irmã de Artur, sua amante e sacerdotisa de Avalon, a ilha sagrada onde se refugiam os remanescentes da antiga religião bretã. O foco da trama é justamente a luta pela preservação da velha seita, carregada de mistérios, onde a deusa impõe ao mundo uma sociedade de domínio feminino, contra a implantação do cristianismo.

Vol. 4

A saga chega ao final. Os destinos de Merlin, Arthur, Morgana, Guineverre e Lancelot chegam ao fim e nasce uma lenda feita para aquecer o coração e a imaginação. Sinopse aqui.

                Oi, você que está lendo essa resenha! o/
             Infelizmente, cheguei ao fim de As Brumas de Avalon. Infelizmente porque os livros são muito bons mesmo...
             Já sabe. Resenha do 4º livro contém spoiler do 3º e dele mesmo (não vou conseguir não colocar spoilers dele mesmo).
             Resenha dos livros 1, 2 e 3, caso você ainda não tenha visto:
             A Senhora da Magia, livro 1
             A Grande Rainha, livro 2
             O Gamo-Rei, livro 3

Cenário
                É praticamente igual ao dos outros livros, embora neste o cenário não influencie muito, então, nem vou repetir o que estava escrito nos outros.

História
              Morgana sabe que já não lhe resta muito tempo para cumprir a missão que a Deusa lhe destinou: como Senhora do Lago - ou pelo menos como sacerdotisa, embora ela saiba que posto ela realmente ocupa - ela deve fazer com que a Deusa se torne presente novamente na vida do povo. Ela precisa encontrar uma forma de fazer com que a Bretanha lembre-se daquela que outrora fora a grande deidade do local, a Senhora, a Mãe, a Deusa.
             Em 'O Prisioneiro da Árvore' os grandes conflitos que marcam 'As Brumas de Avalon' sobem aos seus extremos. Em suas últimas investidas, Artur, Gwenhwyfar, Morgana e todos os outros protagonistas desta história usam de suas últimas forças para tentarem realizar seus propósitos de vida.

Minha Opinião 
              Então, né. É complicado. Poucas vezes eu encontrei um livro com o qual eu me envolvi tanto.
             É difícil escrever como foi a minha leitura desse último livro, que, na minha opinião - esse é nome do tópico, aliás - é o mais intenso de todos.
            Minha primeira sensação com o livro, nas primeiras páginas, foi um saudosismo incompreensível. Eu me lembrava dos cenários dos primeiros livros, de como as coisas ainda não eram tão complicadas neles, de Igraine vendo o mar das falésias de Tintagel... depois lembrei-me de quando Morgana era pequena e a história era focada em Igraine: o que é que ela, Morgana, pensaria se soubesse o que lhe aconteceria na vida? Lembrei-me ainda, de quando Gwenwhyfar era somente uma jovem boba e que não sabia nem ler direito, de quando Artur era só um garoto que não tinha a mínima noção do que era ser rei, de como os outros personagens - que, embora sejam coadjuvantes, são tão importantes à história quanto os protagonistas -, Gawaine, Galahad / Lancelote, Cai, Raven, etc, entaram na trama, impondo, de certa forma, suas ideologias aos lados que apoiavam. Enfim, dissertaria eternamente aqui sobre a história inteira...
             Depois, me veio uma sensação, muito estranha por sinal, de estar lendo uma comédia. A acidez dos comentários de Gwydion somada ao sarcasmo e a malícia de Morgana é impagável! E a reação que eles provocam nos outros quando fazem seus comentários é hilária! Aqui vai um trechinho do veneno de Morgana:
"[à Lancelote] Achei que já era tempo de você parar de partir os corações pelos reinos da Bretanha e da Gália. Então fiz aquele casamento, e não me arrependo. Tem, agora, um adorável filho, que é herdeiro do reino do meu irmão. Se não tivesse interferido, você teria permanecido solteiro e ainda estaria partindo todos os corações, não é mesmo, Gwen?"
               Este trecho está na pg. 39. Ri muito com a indireta (ela está sublinhada, se você não entendeu).
              Enfim, e depois ainda, me veio uma tristeza enorme, quando a história foca em Morgana, que me acompanhou até o final do livro. Pela Deusa! Nada do que ela planeja dá certo! Acolon, Gwydion, Artur, Lancelote, Viviane, Raven, Kevin, Nimue e Niniane, todos mortos. E todos eles tinham envolvimento, de alguma forma, com algum plano de Morgana. Não obstante, Morgana ainda tem uma postura diferente com cada pessoa que ela conhece, e ela mesma é várias (Morgana Mãe, Morgana Sacerdotisa, Morgana Deusa, Morgana Rainha, etc), ou seja, ela é várias para o mundo e múltipla para si mesma. Como deve ser difícil ser ela. Ainda mais porque nada dá certo pra ela. E ela continua lá, tentando restaurar a fé na Deusa, tentando manter Avalon próxima do mundo real, tentando continuar a ser sacerdotisa e tentando não derramar lágrimas. Dando soco em ponta de faca. Tive muita empatia com ela.

Considerações Finais
            Acho que já escrevi demais... enfim, esse último livro me provocou um sentimento de perda, um vazio, pois Avalon se foi, Camelot se foi, a paz na Bretanha se foi. Artur, Gawaine, Gareth, Lancelote, Gwydion, Galahad, Elaine, Gwenhwyfar, Viviane, Igraine, Gorlois, Uther, Lamorak, Lot, Niniane, Taliesin, Kevin, Nimue, Raven, Meleagrant, Acolon, Uriens, Balam, Balim, Avaloch... todos morrem, e Morgana continua, porém morre para o mundo 'real' quando se isola em Avalon, que já não faz mais parte do mundo real. E a Deusa? A Deusa ainda existe e sempre existirá, pois, neste livro e em Balzac, são as mulheres que mexem os fios para manipular a história da sociedade.

      Até mais.